quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Corte de gastos, não no Congresso.

Fechamos o ano com uma notícia que revoltou a todos (revolta essa que dura poucos dias, como sempre), os parlamentares aprovam o aumento dos seus próprios salários. Além de aumentar o salário do presidente e vice. (Segue em anexo a lista dos que foram favoráveis ao aumento)

Para aumentar o salário mínimo é uma discussão imensa que propositalmente se desenrola pelo máximo de tempo que der. Porém para aumentar o próprio salário se resolve numa sentada.

Sempre nos deparamos com aquelas pesquisas do tipo: "Políticos brasileiros são os mais caros do mundo". Os políticos e suas legiões de secretários (muitas vezes da própria família) e assessores, além do enorme número de auxílios. O mínimo que se espera então é que se vai começar um corte de gastos que se comece pelo setor mais caro e menos eficaz do país: o Congresso Nacional.

O novo governo, numa espécie de "maquiavelismo moderno", açoita o trabalhador no seu início de gestão. Apostando na dobradinha BBB/Carnaval para distrair os prejudicados pelas medidas. Além de ter 3 anos para recuperar a imagem para as eleições de 2014. Parece que Lula fez a bagunça e agora a Dilma está querendo arrumar.

Para não dizer que não houve mudança, José Sarney anunciou o corte das horas extras dos que ocupam cargo de direção na casa. Além de adiar concursos. Isso não afetará eles, afinal, todos tiveram um generoso reajuste salarial. O salário de um senador em 2006 era de pouco mais de 12 mil reais, hoje ultrapassa os 26 mil reais. Já o presidente e vice tiveram aumento de quase 150%. Que belo exemplo de economia.

Há uma controvérsia, um partido que se diz "do povo" mas que na hora de cortar 50 bilhões do orçamento vai tirar justamente dos trabalhadores. Sendo que seus políticos vivem no excesso e no desperdício do dinheiro público. Os partidos da base aliada são a maioria, não há desculpa, há má vontade. O partido é do povo até o momento em que se ameaça o bolso dos partidários.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Egito e Internet, o que esperar daqui pra frente?


Ontem tivemos o dia mais intenso das manifestações populares no Egito. Manifestação essa que ficou conhecida por começar no campo "virtual" e partir pro campo "real" posteriormente. Toda a organização se deu através da internet, mesmo ela sendo limitada no país.

O perfil libertador da internet parece que por um momento ressurge quando nos deparamos com tal fato. Quando a internet sai do domínio militar e adentra as universidades dos EUA, ainda buscando uma forma, ela muda completamente o seu foco. Se antes era um sistema de defesa militar visto a ameaça de uma guerra nuclear, agora se tornava um campo de debates e compartilhamentos.

O antropólogo espanhol Manuel Castells em sua obra Galáxia da Internet chama a atenção que a rede era inclusive usada, nas universidades, para compra e venda de maconha. Estamos falando da década de 50 e 60.

Outro movimento interessante que começou pela internet foi o Aswat (Vozes em árabe), nome do grupo fundado por Rauda Morcos, com o slogan “Somos Palestinas, Somos Mulheres e somos Lésbicas” luta pelos direitos homossexuais, em especial das mulheres, promovem reuniões onde palestinas, árabes e israelenses se juntam para discutir a quebra desse tabu em seus países. Começou como um fórum na internet em 2002 ganhado muita notoriedade, no ano seguinte cria-se o site e hoje recebe apoio de ONGs americanas e européias além e prestar suporte através do site aos homossexuais de origem árabe em todo o mundo.

http://www.aswatgroup.org/english


Os BBSs foram a primeira manifestação popular da cultura comunitária virtual, como por exemplo, o Kinky Komputer em São Francisco, orientado para o sexo, um dos mais famosos BBSs da época. O ICG foi pioneiro na promoção de causas sociais, como a paz mundial e a preservação do meio ambiente. Este instalou também a rede feminina La Neta, usada por zapatistas mexicanas com o propósito de conseguir apoio na luta contra a exploração da minoria indígena no país. Na União Soviética havia a RELCOM, criada por acadêmicos, que foi importante na luta pela liberdade de expressão e pela democracia nos momentos críticos da perestroika.

Esse último parágrafo foi tirado do meu TCC e apresentam informações contidas no livro de Castells mencionado anteriormente.

O uso da internet para esse fim mostra o poder dela. Pois não há mediação, não é uma mensagem previamente "esculpida" por um grupo. A informação vem "a partir de baixo", como coloca o historiador Peter Burke. Sente-se a real segurança de não ser o único que compartilha com uma idéia, o que de fato motivou tantas pessoas a sairem nas ruas, e tantas outras posteriormente ao perceber a magnitude do protesto.

O potencial transformador da internet ainda é visto por alguns autores como sendo uma estrada de dois caminhos. Ainda seguindo as palavras de Peter Burke, que em 2002 escreveu na obra escrita em conjunto com Asa Briggs "Uma História Social da Mídia - de Gutenberg à Internet":

"Não é possível nessa altura de sua história concluir que, pela facilidade de acesso e pela transformação 'a partir de baixo', ela desempenhará um papel renovador a longo prazo. Alguns críticos até temem que a Internet mine todas as formas de 'autoridade', afete negativamente o comportamento e ameace a segurança individual e coletiva." (p. 14)

Bem, se passaram 9 anos e as respostas já começam a ser dadas. O que encontramos são as manifestações dessas duas possibilidades colocadas pelo autor. Se por um lado temos os grupos citados anteriormente e mais recentemente a questão do Egito. De outro encontramos grupos radicais, organizações criminosas difundindo suas ideologias na rede, incitando violência e organizando-se também para atividades fora do "virtual".

Como exemplo recente temos os casos das agressões à jovens em São Paulo por supostamente, segundo os agressores, serem homossexuais. Esse episódio teve início numa rede social na internet, os agressores difundiam suas mensagens de intolerância e não obstante se organizaram e partiram para manifestações fora da rede.

Após o episódio do Egito, o prognóstico para os demais países na mesma situação parece ser o mesmo colocado por Burke em 2002. Não se sabe ainda que rumo irá tomar: outros países irão fazer uso da mesma ferramenta para tal fim; ou o Estado irá tentar controlar o acesso da população.



Previdência Social, de "seguro coletivo" a "bolsa-esmola"

Voltando com o blog, sem qualquer pretensão maior do que ser um mero backup de textos (já publicados, que serão publicados ou que jamais o serão).


Recomeçando por um assunto presente no dia-a-dia das pessoas. Que sempre está na boca do povo quando vão discutir política. O "rombo da Previdência" e o "bolsa-esmola" (maneira que os que são contrários tratam a Bolsa-Família e outros programas do governo) são apontados como os grandes problemas para o país estar na situação em que se encontra.

Interessante essa visão que se criou, os cidadãos que são assistidos com programas sociais são enxergados, por aqueles que não fazem uso, como parasitas. Na visão de boa parte da sociedade o dinheiro dos impostos estão indo para sustentar "vagabundos" que "não querem trabalhar". Afinal de contas, o que aconteceu?

Relendo O Mal-Estar da Pós-Modernidade de Zygmunt Bauman me atentei quando ele trata dessa questão no capítulo Os Estranhos na Era do Consumo.

Bauman retoma a ideia inicial de "estado de bem-estar", originalmente concebido para reabilitar temporariamente os inaptos e estimular os que estavam aptos a se empenhar ainda mais, protegendo-os do medo de perder a aptidão no meio do processo. Era concebido como um direito do cidadão e não caridade. Não como donativos individuais mas sim como seguro coletivo. Essa idéia perdurou por alguns anos, porém foi perdendo força e ganhando muitos opositores.

A previdência se torna então estigmatizada. Dos incapazes e imprevidentes, se torna humilhante recorrer à ela, os que o fazem são difamados. "Sugam o dinheiro dos contribuintes", são vistos como parasitas pela sociedade. Versão contemporânea do pecado recompensado segundo Bauman.

Os pecados que o estado de bem-estar originalmente pagava eram os causados pelo capitalismo. A competição, os custos sociais em existências despedaçadas e vidas arruinadas para a reprodução do sistema. Custos que o capitalismo se recusava a pagar, ou não podia sob o risco de insolvência. O estado de bem-estar assumia os custos de indenizar as vítimas do sistema e resguardar as possíveis vítimas.

Quando a sociedade diz que não é possível mais custear isso, está dizendo que não é mais desejável pagar os custos sociais e humanos da solvência econômica. Transferindo então o pagamento às próprias vítimas, não há mais seguro coletivo contra os riscos. O individualismo prevalece e é cada um por si.

A responsabilidade pela situação humana foi privatizada. Os revolucionários ou reformistas mais radicais são vistos como ameaças à ordem que já é frágil pois não há mais fortes meios que garantam a continuidade da mesma.

A saída do indivíduo do papel de produtor para ser apenas consumidor desestimula a fundamentação da esperança em ações coletivas. O consumo, ao contrário da produção, é uma tarefa individual que coloca os indivíduos em campos opostos em que frequentemente se atacam.

Quanto maior a “procura do consumidor”, ou seja, a sedução do mercado, mais próspera e segura é a sociedade de consumidores. A sedução atinge todos, porém é muito maior o número de pessoas que não podem satisfazer o que os impulsos sedutores ditam do que as que podem. “A sedução do mercado é ao mesmo tempo a grande igualadora e a grande divisora”.

Os que não podem agir conforme o desejo do impulso são regalados diariamente com aqueles que podem. O consumo abundante é o caminho para o sucesso, é o caminho para a felicidade e em alguns casos para a dignidade humana.

Por fim, encerro com uma citação direta da obra, que define de forma perfeita a situação atual do mundo ocidental numa excelente metáfora:

"Em nenhum jogo de cartas são idênticas as cartas recebidas, portanto o conselho para se aproveitar bem as cartas de que se dispõe sugere que devem ser usados quaisquer recursos que se consiga reunir. Do ponto de vista dos proprietários do cassino, alguns recursos — os que eles próprios alocam ou põem em circulação — são moeda legal, no entanto, todos os outros recursos — os fora de seu controle — são proibidos. A linha que separa o lícito do ilícito não parece a mesma, contudo, do lado dos jogadores; e, particularmente, do lado dos pretensos jogadores aspirantes e, mais particularmente, do lado dos jogadores aspirantes incapacitados, que não têm acesso à moeda legal. Estes devem lançar mão dos recursos que de fato possuem, quer reconhecidos como legais ou declarados ilegais — ou optar por sair totalmente do jogo. A força sedutora do mercado, porém, tornou este último movimento quase impossível de se pretender." (p. 56)


O fim da coletividade parece ser o problema maior a ser enfrentado. O individualismo trouxe, além da oposição aos "programas sociais" no Brasil, também violência. Grupos neo-nazistas e racistas tomam como princípio justamente essa visão individualizada, de que carregamos um "fardo nas costas" ao dar assistência à outro cidadão, claro que com toda a "fundamentação" racial que eles criam. Com a ideia de "seguro coletivo" não existiria a discriminação contra a dita "classe baixa".

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Lei Controversa

Ministério Público quer prisão por preços abusivos em calamidades.

"A Associação Nacional do Ministério Público Criminal irá encaminhar, na próxima semana, ao Congresso Nacional, um projeto de lei para coibir os crimes econômicos praticados durante períodos de calamidade pública."

"O promotor público de Santa Catarina Andrey Amorim cita os problemas enfrentados no Vale do Itajaí durante as últimas enchentes.

"A gasolina dobrou de preço, o gás de cozinha teve o seu custo triplicado e o quilo de carne passou a ser comercializado por até R$ 80. Essa é uma situação que precisa ser punida eventualmente, disse."

Fonte: Terra


Vão começar por quem? Estado de calamidade entendo eu que é o estado que o País se encontra há anos. E preço abusivo então... Se estenderem pros impostos não sobra um "mermão".


sábado, 22 de novembro de 2008

Por quê NOVA CPI?

Uma curta história.

Se resume no post da ANTIGA CPI, que era hospedada na WordPress, um blog mais formal, digamos assim.

http://punkstarr.wordpress.com


O primeiro e único post (verás que é o segundo, pois o primeiro eu deletei) explicará tudo.


Depois daquilo fiquei indignado e saí do site. Até porque ele é limitado demais para não-pagantes, é algo bem formal, mas se você quiser mais recursos tem que pagar.

Aliás a ANTIGA CPI tinha outro nome, era Coluna Punkstar Independente, mas aí resolvi limitar à política, e como haverá de ter mais colaboradores não seria elegante ter meu nome.

Enquete Idiota

O Portal Terra e suas enquetes inteligentíssimas. A mais nova:

Os EUA acertaram ao escolher Barack Obama como seu novo presidente?



Os caras se formam em jornalismo, estudam política e ainda perguntam isso. Será que não pensam: "Porra, brasileiro não acerta nem no presidente do próprio país e vai acertar no dos outros?"



Francamente.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Lula se compara a Obama

Aí vai mais uma piada do seu presidente.


Quando li a manchete:

Lula se compara a Obama, que 'também não pode errar'



Minha reação foi cair na risada, lógico. O Lula na sua infinita humildade disse que o Obama não pode errar, assim como ele não podia. Mas espera um pouco! A marionete do Palácio da Alvorada não errou? E o mensalão? O que, não foi no Brasil isso? E quem é o representante máximo do Brasil? Logo ele é responsável pelo que acontece na sua gestão, não é? E mais ainda, ele tem que assumir os erros que os seus "companheiros", QUE ELE COLOCOU NOS CARGOS, cometerem.

Sim, ele disse que não sabia. E eu disse que acreditei, enfim, já que muita gente acreditou, é inquestionável o fato dele ter errado em NO MÍNIMO nomear tais sujeitos (José Dirceu, Antônio Palocci) para tais cargos. Dirceu no escândalo do mensalão, e o Palocci no escândalo do caseiro.

E agora o Lula vem me falar em errar, políticos.